domingo, 27 de julho de 2014

MINHA QUERIDA AVÓ





Criada alem, na roça...
em paupérrima palhoça,
porém rica em amor!
Corria pelas campinas...
e subia nas colinas...
brincava no prado em flor!
Ao chegar a primavera...
Oh meu Deus, que lindo era...
no verdejante pomar...
escutar a algazarra...
de barulhenta cigarra...
e dos pássaros a trinar!

Ela achava tudo lindo!
Adormecia sorrindo...
e despertava a cantar!
Sonhava o dia inteiro...
um sonho doce e e fagueiro...
em magia a lhe embalar!
Brincava noite e dia...
em tudo achava poesia...
no céu, no campo e nas flores!
E as manhãs ensolaradas...
as noites enluaradas...
tinham vida, luz, amores!

Amava as criaturas...
achava-as boas e puras...
o mundo era todo amor!
E como lhe comovia...
a luz do raiar do dia...
o desabrochar de uma flor...
uma rolinha voando...
uma sabiá gorjeando...
causava-lhe devaneio...
e o formoso gaturamo...
saltando de ramo em ramo...
deixando-lhe em doce enleio!

Mas o tempo foi passando...
pouco a pouco lhe mostrando...
o mal que o mundo contém...
deixou os bosques floridos...
perdeu entes queridos...
e foi para a terra do desdém...
então conheceu a maldade...
a perfídia, a iniquidade...
a hipocrisia, a traição...
e naquela alma ávida de amores...
conheceu os amargores...
da cruel ingratidão.

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